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O Pújá



Artigos 3 de setembro de 2008
O Pújá

Texto do livro Pújá a força da gratidão

 

O Pújá

O pújá em si é algo espontâneo, um comportamento inato e instintivo de gratidão, reverência e lealdade. Encontra-se presente no âmago de cada ser humano e remonta a tempos imemoriais de todos os lugares do planeta.

Tal gratidão é uma atitude universal, observada no cotidiano sob as mais variadas manifestações culturais, sejam filosóficas, artísticas, cívicas, políticas, religiosas ou científicas.

Para exemplificar, classificamos como pújá: uma criança oferecendo espontaneamente uma maçã à sua professora antes da aula; um estudante homenageando os pais ao concluir a faculdade; um soldado honrando o seu País ao hastear a bandeira; um discípulo reverenciando e defendendo o seu Mestre e a sua linhagem, entre outros. Para ser designado como pújá, é preciso haver um sentido hierarquicamente ascendente: parte do aluno ao professor, do filho aos pais, do devoto à divindade, do discípulo ao Mestre. Jamais o contrário.

A intenção por trás do ato é outra relevante característica dessa prática. Significa agir com abnegação e sem esperar retorno, motivado pela satisfação de agradecer, honrar, servir e doar-se. Tudo isso são diferentes formas para demonstrar a generosidade da nossa raça, virtude que nos permite viver e evoluir em sociedade.

O pújá acha-se bem desenvolvido e estruturado no Oriente, especialmente na Índia. De fato, tal conceito é muito popular naquele país. Além de ser aplicado habitualmente no cotidiano hindu, esse costume também está inserido numa filosofia denominada Yôga, um dos seis pontos de vista (darshanas) do hinduísmo. A intenção deste trabalho é fundamentar o pújá por meio daquela filosofia.

Uma parte imprescindível do Yôga

O melhor significado do termo sânscrito Yôga é integração consigo mesmo, com os outros seres e com o Universo. A definição mais abrangente é: “Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi.”

O Yôga nasceu na Índia, há mais de 5.000 anos. Originalmente, é composto por vários conjuntos de técnicas integrados numa metodologia prática, podendo ser comparado a um colar de pérolas. O pújá representa uma dessas pérolas e, a filosofia do Yôga, o fio que as une, formando o colar.

Hoje em dia, as mais variadas linhas de Yôga são praticadas por pessoas no mundo todo. No entanto, a grande maioria dos ocidentais desconhece o pújá, diferentemente do hindu que sempre o utiliza. Dissociá-lo do Yôga é comprometer a autenticidade dessa filosofia prática e conseqüentemente a evolução do praticante.

O pújá no Yôga

O pújá no Yôga é realizado tanto na forma de reverência, oferenda e demonstração de lealdade, quanto por meio dos serviços prestados aos instrutores, mestres e demais preceptores de uma linhagem.

O objetivo do Yôga é expandir a consciência a patamares superlativos. Por meio de uma determinada combinação de técnicas, o praticante desenvolve-se de maneira gradativa, ampliando sua vitalidade orgânica, passando pelo aprimoramento emocional e mental, até o aperfeiçoamento no plano intuicional e monádico.

Durante o processo evolutivo aprimora-se o ego, ferramenta importante que deve ser aproveitada pelo ser humano. Para tanto, é preciso não se deixar conduzir por ele, mas guiá-lo para fins construtivos. Um dos principais motivos pelos quais centenas de linhas de Yôga têm surgido é a hipertrofia do ego de alguns instrutores. Estes, muitas vezes, acham que já sabem o suficiente e abandonam seus Mestres para “criar” seu próprio Yôga (!).

No entanto, fora da relação Mestre-discípulo, a meta do Yôga dificilmente é alcançada. Para transcender nossa personam, é preciso contar com a interferência gravitacional de um Mestre. Inicialmente, é necessário educar-se na arte de servir. Tal atitude denomina-se gurúsêvá, primeira e mais importante fase do discipulado. E é nessa fase educativa que se aprende o significado do pújá: torrente de luz a nos levar pelo mar da sabedoria que integra a prática milenar do SwáSthya, o Yôga Antigo.

 

Trecho extraído do Livro Pújá a força da gratidão, autor Sergio Santos. Ed. Nobel


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