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A kundaliní é feminina


Artigos 21 de abril de 2009
A kundaliní é feminina



 

A kundaliní é feminina

O termo kundaliní é feminino. Seu gênero é designado pelo í final acentuado, portanto, com pronúncia longa. Quem pronuncia no masculino ou com a tônica na sílaba anterior (“kundalíni”) geralmente é leigo ocidental. Os não-iniciados dirão que isso é uma filigrana sem maior importância e que não faz diferença se o vocábulo é masculino ou feminino. Acontece que essa informação é crucial quando deixamos de ser meros teóricos e tornamo-nos yôgins (praticantes de Yôga). O gênero feminino indica polaridade negativa. O gênero masculino indica polaridade positiva. Se fosse "o kundalíni", no masculino, teria polaridade positiva, o que exigiria procedimentos opostos para despertar essa energia.

Caso o ensinante de “yóga” não tenha iniciação nem experiência prática, vai chamar a energia de "o kundalíni", conceitualmente inverterá a polaridade e, na hora de aplicar as técnicas, ao invés de fazer o poder serpentino subir, vai fazê-lo descer! Por isso, tal ensinante incutirá medo nos estudantes, porque ele mesmo não tem muita noção do que ensina.

Inúmeros autores escrevem livros sem experiência prática daquilo sobre o que dissertam. Esses, geralmente, são os que assustam seus leitores com mistérios e perigos, pois é assim que a kundaliní se lhes afigura. Na prática, as coisas são muito mais simples.

Kundaliní é uma energia física, de natureza neurológica e manifestação sexual. Nesta definição estão as chaves para compreender e manobrar a kundaliní. Os estudiosos de linha espiritualista defendem que essa energia é espiritual e, em sendo algo subjetivo, impalpável, eles não têm como instrumentá-la. Daí a opinião tupiniquim de que os Grandes Mestres da Índia Antiga estavam errados e que a kundaliní não deve ser despertada.

Nós do Swásthya Yôga, por sermos de linhagem Tantra-Sámkhya , sabemos que a kundaliní é uma energia física e não espiritual como declaram os professores de linha espiritualista. Sendo energia física ela está sujeita às leis da Física. Na Física os pólos iguais se repelem. Logo, para fazê-la ascender devemos, entre outras técnicas, pressioná-la com uma parte do corpo que tenha polaridade igual. Um dos ásanas que atendem a esse requisito é o siddhásana (siddha, aquele que possui os siddhis, paranormalidades). Se o ensinante a chama de “o kundalíni”, no masculino, mesmo que conheça o mecanismo de acionamento, mesmo que saiba que se trata de uma energia sujeita às leis da Física, ainda assim errará, pois colocará o pólo equivocado em contato com o períneo e, ao invés de gerar força de repulsão, criará atração, trazendo a kundaliní para baixo.

Os perigos da kundaliní

Há algum perigo? O único perigo é a existência de indiscípulos, aqueles que discordam por razões de ego, descumprem as instruções por questões de conveniência, fazem tudo errado por indisciplina e depois ainda querem que a coisa funcione. Se o praticante obedecer rigorosamente as recomendações de um Mestre qualificado e com experiência própria, não há riscos. Você quer um exemplo de algo mais mortal que um salto mortal? Entretanto, ninguém morre dando saltos mortais na ginástica olímpica, porque há um método de aprendizagem. Basta seguir o método. O nosso vem com garantia de fábrica de 5.000 anos.

Resumo do argumento

Defendendo a instrução ancestral de que é preciso despertar a kundaliní, repetimos aqui a justificativa, resumidamente:

O médico hindu e grande iluminado dos Himalayas, Sivananda (pronuncie Shivánanda), declarou textualmente em seu livro Kundaliní Yôga, páginas 70 e 126 da primeira edição, Editorial Kier): "Nenhum samádhi é possível sem kundaliní." Ora, se a meta do Yôga, segundo Pátañjali, o codificador do Yôga Clássico, é o samádhi, praticar Yôga sem despertar a kundaliní é tão eficaz quanto ping-pong.

 

Extraído do livro Chakras e Kundaliní, autor DeRose, Editora Nobel.


Para mais esclarecimentos sobre Tantra e Sámkhya, recomendamos a leitura do livro Yôga, Sámkhya e Tantra, do Mestre Sérgio Santos, considerado como o mais completo texto sobre esses temas em língua portuguesa.

Siddhásana consiste em pressionar o períneo com o calcanhar de polaridade negativa. Sendo, a kundaliní, também, de polaridade negativa, ambos se repelem e, como o calcanhar permanece no períneo, a kundaliní tende a ascender pela medula. Caso o praticante se referisse a essa energia como “o kundalíni”, no masculino, suporia, erroneamente, que sua polaridade fosse positiva. Nesse caso, ainda sabendo que essa energia é física e não espiritual (logo, sujeita às leis da Física), aplicaria o calcanhar de polaridade positiva e isso só atrairia a kundaliní para baixo, impedindo a evolução ou até mesmo causando uma involução do praticante. [A repetição deste esclarecimento foi intencional, dada a gravidade e a constância da incidência do mencionado equívoco.]

 


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